# Como funciona a conectividade IoT via satélite (e quando ela faz sentido)

> Como funciona a conectividade IoT via satélite, os trade-offs de custo e latência entre LEO e GEO, e os poucos cenários em que ela supera LoRaWAN ou celular.

A IoT via satélite tem um argumento imbatível: cobertura em qualquer ponto do planeta, incluindo os oceanos, desertos e montanhas onde nenhuma torre de celular jamais será erguida. As novas constelações de órbita baixa derrubaram o preço e o tamanho dos dispositivos a ponto de o satélite virar uma opção de verdade, não um último recurso.

O problema é que "funciona em qualquer lugar" acaba lido como "use em todo lugar", e esse é um erro caro. Na grande maioria das implantações, o satélite é mais lento, mais caro e mais limitado do que o link LoRaWAN ou celular que você já tem. Então a habilidade que realmente importa é entender como ele funciona e reconhecer os poucos casos em que ele de fato vence.

## Como a IoT via satélite funciona

Um dispositivo envia uma mensagem curta para um satélite que passa acima dele. O satélite repassa a mensagem para uma estação terrestre, que a encaminha para a internet e, de lá, para a sua plataforma. Alguns sistemas exigem o satélite à vista no momento exato da transmissão; outros armazenam a mensagem e a encaminham quando o próximo satélite passar.

O resultado é um link feito para mensagens pequenas e esporádicas, vindas de lugares que mais nada alcança. Não é um link feito para streaming nem para dispositivos que falam o tempo todo.

## LEO versus GEO

Dois tipos de órbita moldam os trade-offs. Satélites em órbita baixa (LEO) voam perto, então a latência é menor e os dispositivos podem ser menores e mais baratos, mas você precisa de muitos satélites para manter cobertura estável, e cada um fica à vista por pouco tempo. Satélites geostacionários (GEO) ficam fixos sobre uma região, então a cobertura é constante, mas estão muito distantes, o que eleva a latência e o consumo de energia.

É para LEO que está indo a maior parte da nova capacidade de IoT. É o motivo pelo qual a IoT via satélite ficou, de repente, acessível para sensores alimentados por bateria.

## Os trade-offs que decidem a escolha

- **Custo.** O preço por mensagem é maior que o do celular ou LoRaWAN. A conta cresce rápido se os seus dispositivos forem falantes.
- **Latência.** As mensagens podem levar de segundos a minutos, dependendo das passagens do satélite. Controle em tempo real está fora de cogitação.
- **Payload.** As mensagens são pequenas. Envie algumas leituras, não imagens nem logs.
- **Energia e posicionamento.** O dispositivo em geral precisa de visão livre do céu, o que descarta uso em ambientes fechados profundos ou subterrâneos.

Coloque um caso de uso candidato à prova desses quatro pontos. Se qualquer um deles for impeditivo, o satélite não é o seu link.

## Quando o satélite realmente vence

O satélite justifica o custo em um formato específico de problema: ativos remotos, móveis, ou os dois, enviando pequenas quantidades de dados onde nenhuma outra rede chega. Pense em contêineres de carga cruzando oceanos, dutos e tanques no meio do nada, equipamentos agrícolas longe de qualquer torre e sensores ambientais em áreas selvagens.

Ele também funciona bem como link de backup para sites críticos, carregando os dados em silêncio quando a conexão principal de celular ou LoRaWAN cai.

## Combinando satélite com uma plataforma

O satélite cuida do trajeto de um dispositivo remoto até a internet. Sua plataforma cuida de todo o resto: armazenar as leituras, exibi-las, disparar alertas e enviá-las a outros sistemas. São duas tarefas distintas, e a plataforma deve receber os dados entregues por satélite da mesma forma que recebe qualquer outro dado, via HTTP ou MQTT.

A TagoIO ingere dados independentemente de como eles chegam, então um link por satélite para os seus ativos mais remotos pode conviver com sites de celular e LoRaWAN nos mesmos dashboards e alertas. A conectividade pode ser mista; a visão continua única.

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